Quando leres isto estarei de partida.
Nunca percebi se estava mesmo doente se sou louca. Não percebo porque é que tem que ser uma doença e não uma característica. Nestes ultimos meses senti-me feliz e nunca demente.
Tenho a certeza que o meu retrato em carvão não retrata a musa que viste em mim. E em nenhuma capa de revista descobriste o quão bonita era para ti… Porque nada disto significa nada nesta história.
Devia ter sido escritora ou pintora. Devia ter sido politica e ainda houve quem dissesse “és nova, podes ser tudo o que quiseres.” Mas sinto que já não posso ser nada porque estou dominada por uma insanidade crónica!
Não tirei qualquer prazer intelectual daquilo que fui, nem daquilo que poderia ter sido. De que me importa isso? Ensinaste-me a ouvir Miles Davis e eu ensinei-te a comer hamburgueres. Os dois juntos representávamos a felicidade em forma física porque era visível e palpável.
Mesmo que não me tenhas escolhido a mim por conveniência sei que sentirás saudades do meu cheiro e da minha voz. Tenho a certeza que amaste a minha instabilidade e que essa mesma tornou os teus dias menos aborrecidos. Estou a sorrir enquanto me lembro de nós, mas tenho a sensação de sufocar e se isto não fosse uma metáfora estaria morta.
Foste paciente e tolerante mas soubeste ser louco, o que é de admirar, visto que não passas de um comum mortal.
Tenho frio, queria que estivesses aqui para me pores o teu casaco nos ombros. Estou cheia de duvidas e precisava de ti para acabar com elas. Não sei se isto é o mais correcto mas tenho a certeza que é o mais sensato.
Podia ter subido a rua antes de ter descoberto que vivias na rua de baixo. Podia ter seguido em frente antes da minha insanidade te ter deixado aquele bilhete. Podia não te ter conhecido evitando assim ter-te amado tanto. E se tivesse continuado quando te vi parado em frente à porta lá de baixo, indeciso? Nunca te perguntei se pensavas tocar ou se estavas numa de ir embora… Subias? Ainda me lembro da tua cara de arrependido. “Olá” Parecias um miúdo perdido e eu não te estava a salvar de certeza.
E ontem quando ligaste, devia ter oferecido resistência. Devia ter tentado persuadir-te, tentado que ficasses comigo. Mas estava desiludida porque vi uma pessoa desinteressante a querer jogar monopólio com a vida. Comprar ruas e construir hotéis amor? E o resto? Esqueceste-te que nunca tinhas sido feliz assim?
Fui o supra-sumo da tua vida e só tu é que não o consegues ver. Os dois fizemos um mas nunca fomos inseparáveis.
Tinhas tudo para ser feliz e nunca foste, já eu que não tive nada, soube fazer sumo das laranjas que me trouxeste. Sempre tomei decisões incorrectas e hoje sou capaz de perceber as consequências dessas na vida de outros.
Infelizmente, quando leres isto será tarde de mais, mas quero que saibas que acho que tens um charme invulgar.
E… amo-te.
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Que fazes?